“É absurdo”, diz ambientalista sobre morte de peixes no Litoral Norte

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Presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Francisco Milanez afirma que caso deve servir de alerta a autoridades e precisa ser investigado.

mortandade de bagres no Litoral Norte preocupa a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan). Na avaliação do presidente do órgão, Francisco Milanez, o problema não se compara a tragédias ambientais recentes no Estado — como a que se abateu sobre o Rio do Sinos em 2006 — , mas deve servir de alerta para autoridades e precisa ser esclarecido.

 As carcaças começaram a aparecer nas areias de Atlântida Sul, Albatroz, Santa Teresinha e Mariluz na sexta-feira (19). Segundo o Batalhão Ambiental da Brigada Militar, foram 25 toneladas.  

No caso do Rio do Sinos, 86,2 toneladas de peixes mortos foram retirados da água em outubro de 2006, sem contar os bichos que apodreceram no leito — estima-se que o desastre possa ter afetado de 150 a 200 toneladas de pescada, número até oito vezes superior ao registrado no episódio atual.

 — De qualquer forma, é um absurdo. É possível que os peixes de fato tenham sido descartados por pescadores e o mais revoltante é imaginar quantos desses animais são capturados de forma irregular todos os dias sem que a gente sequer saiba. E o pior: há quem compre — adverte Milanez.

Se a causa for confirmada pelas autoridades, não chega a ser novidade no Rio Grande do Sul. Em 2011, milhares de Savelhas — espécie de baixo valor comercial — foram rejeitadas por barcos pesqueiros na praia do Cassino, em Rio Grande. O descarte chamou a atenção em uma faixa de areia de cerca de dois quilômetros, próximo dos Molhes da Barra.

Antes disso, em 2007, mais de 40 quilômetros da orla gaúcha foram tomados por pelo menos cinco toneladas de tainhas mortas, entre Tavares (nos fundos da Lagoa do Peixe) e Bujuru, distrito de São José do Norte. Na época, a suspeita do Batalhão Ambiental também era de que alguma embarcação tivesse despejado o resultado do trabalho no mar ao se defrontar com fiscalização.

Diretor do complexo de museus da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o oceanógrafo Lauro Barcellos também avalia a situação detectada no Litoral Norte como “absurda”, independentemente da causa.

— É uma mortandade enorme e precisa ser investigada. É preciso verificar em que circunstâncias isso ocorreu — declarou o oceanógrafo.

Fonte e Fotos: Gaúcha-ZH

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